A Montanha e a Missão: Reflexões Sobre a Crise da Masculinidade, a Jornada com Meu Filho e o Movimento Legendários
Em nossos dias, reina uma grande confusão sobre o verdadeiro significado de ser homem. A sociedade atual – hedonista, relativista e impregnada por ideologias distantes dos princípios eternos – tem imposto um silêncio opressor sobre os homens. Um silêncio que, tanto dentro quanto fora das igrejas, revela uma crise de identidade masculina sem precedentes. Diante dos muitos rótulos e discursos da chamada cultura woke, os homens cristãos têm sido retratados como vilões ou descartados como irrelevantes. O resultado? Uma geração acuada, confusa e passiva diante do caos que se instala. Essa crise, no entanto, não é apenas social ou cultural – ela é, sobretudo, espiritual.
J. C. Garcia
5/28/20253 min read


Foi nesse cenário que, nos últimos anos, começaram a surgir movimentos que buscam restaurar o verdadeiro chamado de Deus para os homens, preenchendo a lacuna de omissão e crise de identidade dentro das igrejas e na sociedade. Entre eles, um tem se destacado: o Legendários, nascido na Guatemala em 2015. Inicialmente discreto, o movimento cresceu, reunindo homens de diferentes idades e origens numa jornada de reencontro com sua essência, seu propósito e, acima de tudo, com seu Criador. Com o aumento expressivo de participantes e, consequentemente, das críticas, o Legendários ganhou visibilidade – e polarização.
Apesar de minha longa caminhada com Deus – 25 anos de batismo, formação teológica e uma vida dedicada ao discipulado – senti que essa experiência seria uma oportunidade. Decidi não apenas participar, mas levar comigo meu filho, que acabara de completar 18 anos. Quis marcar esse momento como um rito de passagem: uma transição simbólica, espiritual e prática para a vida adulta. Assim, nos inscrevemos no TOP de Monterrey, no México. Compramos mochilas, barracas, equipamentos... e subimos a montanha.
As 72 horas que vivemos ali foram verdadeiramente impactantes.
Fomos desafiados fisicamente, confrontados emocionalmente e profundamente ministrados espiritualmente. Em meio à natureza, ao silêncio da montanha e à comunhão com outros homens, fomos desconstruídos e reconstruídos. Desci diferente. Mais alinhado com minha missão como homem, pai e discípulo de Cristo. E profundamente grato por ter vivido tudo isso ao lado do meu filho – não apenas como ensino, mas como experiência.
Foi só ao descer que percebi com mais clareza o quanto esse movimento tem sido alvo de críticas – inclusive dentro da própria igreja. Argumentos, em sua maioria, superficiais, carregados de preconceito e desinformação, além das verdadeiras, pois nenhum movimento é perfeito. Críticas por quem prefere teorizar a experimentar. Mas quem sobe a montanha sabe: não há ideologia que substitua a realidade de homens sendo curados, confrontados e despertos para sua missão.
Algumas críticas comuns que ouvi (e minhas opiniões):
1. É caro, e você está dando dinheiro para pastores e um movimento.
Sim, como fazemos em congressos, acampamentos, encontros de casais, conferências e tantos outros eventos da igreja. E, sinceramente, nem comparo com o quanto eu gastava quando estava na minha vida pregressa. Além disso, há sempre irmãos dispostos a ajudar quem realmente quer ir.
2. É um movimento para-eclesiástico.
Sim. Assim como muitos outros ministérios que edificam vidas e operam fora da estrutura denominacional, mas não fora do Reino.
3. Não é preciso subir uma montanha para encontrar Deus.
Concordo. Também não é preciso ir a um congresso ou retiro para isso – mas quantas vidas já foram marcadas nesses contextos?
4. É um movimento de coachs e celebridades.
O Legendários é aberto a qualquer homem. Gente comum, com histórias reais. Se há rostos conhecidos, que bom.
5. É apenas uma moda.
Talvez seja, sim, uma reação a uma lacuna real – a ausência de homens posicionados nas igrejas. E, se for moda, que ela perdure até que a omissão dê lugar à responsabilidade. Lembrem-se dos Grandes Avivamentos, que foram e passaram deixando frutos na história.
6. É superficial.
Pode parecer, como todo evento evangelístico. Mas despois disto, deve seguir com um pastoreio e discipulado pela igreja local.
O Legendários é um grito onde muitos deveriam estar sendo voz — mas preferem o silêncio da crítica à coragem da ação.
Tenho contato com tantos homens de Deus – líderes de igrejas, pastores, discipuladores e homens comuns – no Brasil e no exterior, que participaram de um TOP, e continuam firmes, servindo com integridade em suas igrejas locais. Também acompanho famílias inteiras que foram verdadeiramente transformadas, e que hoje apresentam frutos consistentes de arrependimento, cura e propósito.
Isso, por si só, não legitima nenhum grupo. Mas reforça uma verdade: Deus usa caminhos que, muitas vezes, não compreendemos de imediato. A questão não é o “como”, mas o “para quê”. E quando o resultado é arrependimento, santificação e homens voltando ao seu papel bíblico – vale a pena prestar atenção.
Por isso, deixo aqui meu tributo, meu testemunho e meu encorajamento: homens, levantem-se. Leiam a Palavra. Orem. Sirvam. Confrontem o pecado. Assumam sua identidade no Pai. Participem de movimentos sérios. Com ou sem Legendários, o que importa é que não vivamos mais na passividade ou na omissão.
E, se puderem, levem seus filhos. Porque não há presente maior que um pai pode dar do que a certeza de que vale a pena ser homem – homem segundo o coração de Deus.
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Resgatando a masculinidade bíblica com propósito eterno.
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